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Poli-USP recebe doação de busto de Lauriberto Reyes, estudante morto na ditadura e diplomado em 2025

Margarida Cecília Corrêa Nogueira Rocha e seu esposo foram amigos de Lauriberto nos anos 1960, quando viveram no Conjunto Habitacional da USP (CRUSP)

No dia 27 de novembro de 2025, a Diretoria da Escola Politécnica (Poli) da USP recebeu a doação de uma placa em homenagem a Lauriberto José Reyes, de Margarida Cecília Corrêa Nogueira Rocha e sua família. A placa feita em mármore, conta com um busto em bronze, junto à letra de uma canção escrita por Lauri, como era conhecido por seus amigos. 

O vice-diretor da Escola, professor Sílvio Nabeta, recepcionou Margarida, seu marido José Coeli Teixeira Rocha, e seus filhos Rodrigo Nogueira Rocha e Tiago Nogueira Rocha. Também participaram da reunião o professor e ex-diretor da Poli, Antonio Marcos de Aguirra Massola, e o professor Cleyton Carneiro, vice-presidente da Comissão de Inclusão e Pertencimento da Poli. 

O professor Nabeta agradeceu a doação da homenagem a Lauriberto, “que resistiu em uma época muito triste da nossa história. Não resistiu apenas pela Escola Politécnica, mas por todo o País. Hoje, mesmo que simbolicamente, ele retorna à sua casa acadêmica”.

O professor e ex-diretor da Poli, Antonio Marcos de Aguirra Massola, agradeceu a doação, por sua importância em restaurar a história. “Para nós é muito importante essa doação com o busto de Lauriberto, que hoje poderia estar na vida ativa, como profissional de engenharia, e não permitiram isso. Para nós é muito significativo. É importante termos essa memória, porque faz parte da história da Universidade”.

Margarida, que foi amiga de Lauri na época de sua graduação, relembrou com carinho que “não há quem tenha conhecido Lauri que não fale bem dele. Lauri está na história, ele é nome de Grêmio, as pessoas ainda falam dele, e ele está aqui onde ele deveria estar”. Por fim, agradeceu à Diretoria da Poli por acolher a doação.

Lauriberto José Reyes – Lauri, como era conhecido entre familiares e colegas, manifestou a sua indignação frente às injustiças sociais desde jovem. Habilidoso no violão e adorador de serenatas, ele se posicionou por meio dos artigos publicados no jornal da instituição onde estudou na adolescência, “O Diocesano”.

Em 1965, após muito estudar, Lauriberto ingressou na Escola Politécnica (Poli). Na Universidade, ele morou no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), onde se tornou diretor cultural. Nessa posição, Lauri polemizou sobre questões culturais e participou de debates sobre a militância política, o Tropicalismo e a criação artística.

Além da sua vivência uspiana e politécnica, Lauriberto também participou ativamente de movimentos políticos e estudantis. Dentre as suas atividades como ativista, ele integrou o Movimento de Libertação Popular (Molipo) e fez parte da direção executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1968. A Ditadura Militar tirou a vida do jovem em 1972, próximo de completar 27 anos de idade.

Confira a página da Diplomação da Resistência na Escola Politécnica, marco em que a unidade da USP realizou a diplomação honorífica de seus estudantes mortos pela ditadura militar, Luiz Fogaça Balboni, Lauriberto José Reyes, Olavo Hanssen e Manoel José Nunes Mendes de Abreu. O evento foi realizado no dia 28 de março de 2025.

“E hoje eu volto por outras estradas
Já não importam velhas namoradas
Vim procurar outra gente
Mudar o presente
Eu vim desta vez companheira
Juntar o que eu tenho de novo
Nas lutas do povo”

Lauriberto José Reyes